20/10/2016

A medicina, a arte e a ética

Márcio de Carvalho

A medicina é uma arte, como sabiamente se diz. Baseando-se neste princípio, o seu principal protagonista só poderia ser um artista, com habilidades únicas no mais variado espectro que a arte pode abranger.

O médico atua na forma mais estrita do artista, onde seu convivo diário com doenças, situações aflitivas e desiguais da vida chegam ao limite entre a concepção e a morte. A decisão de como atuar diante de sua plateia exalta as manifestações mais profundas do psiquismo, fragilidade e insegurança do sentimento humano.

Quando comparado à arte com a paixão pelo exercício da medicina, lembramos que esta é única; sua existência deriva da pratica diária, onde a ciência deve se associar com a humanização do atendimento.

O médico, aqui artista, tem como princípio e dever proporcionar singular atenção àquele que por muitas vezes foi reduzido à mera condição de doente, não mais interessando sua vida, sua história, personalidade, situação social ou psicológica.

A arte da medicina é edificada cotidianamente através do desenvolvimento tecnológico, que proporciona a nós, médicos, a possibilidade de procurar um equilíbrio entre a inovação e compreensão do ser humano.

Faz se necessário que a ética interponha-se à arte do exercício da medicina, pois desempenha um papel de extrema relevância, visto que seu principal instrumento de trabalho são os esforços na preservação da vida.

A ética alcança sua essência quando estabelece uma relação médico-paciente ideal com base na sinceridade, lealdade e confiança mútua, ou seja, vínculo e responsabilidade. Para que esta harmonia se mantenha é necessário que a ética esteja presente nas decisões e atos médicos.

A nova medicina mergulha em áreas que podem interferir de maneira significativa na vida humana, desde antes do nascimento até depois da sua morte. A ética tem como propósito estabelecer parâmetros e limites para o homem, que se moldam de acordo com a cultura vigente na sociedade.

Neste novo contexto, o atendimento médico exige, além de consciência plena e postura profissional, o maior respeito aos preceitos éticos vigentes. A medicina encontra-se em amplo vigor, nunca recuou em direção ao desembaraço do mito à verdade científica. As dificuldades nos alimentam a continuar na procura por novos recursos que enaltecem a nossa arte de diagnosticar e curar.

Artigo escrito pelo médico urologista Márcio de Carvalho, Diretor Regional do CRM-PR em Maringá.

*As opiniões emitidas nos artigos desta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do CRM-PR.

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