30/12/2016

Aos médicos, um ano novo de atitudes e realizações

Luiz Ernesto Pujol

E lá se vai 2016! Ano complicado, carregado de cores escuras e de escusas esfarrapadas. Cheio de surpresas desagradáveis, que vieram escancarar o que todos desconfiávamos, sem comprovação até então.

Não foram só as corrupções, que de tão funestas já nos bastariam. Foi a glorificação da mentira e da falsidade. Foi a perversa mediocridade dos gestores públicos. Foi o aniquilamento da confiança interpessoal.

Foram escancarados os graves desrespeitos e a traição à cidadania dos honestos e trabalhadores. Foram aviltados os direitos constitucionais de cada brasileiro nos princípios básicos da mínima qualidade de vida.

Foram milhares de vidas ceifadas pela falta de recursos espoliados nas falcatruas econômicas, as quais dilaceraram a nação e, em particular, a Saúde Pública. Verdadeira mistanásia que, até o momento, apenas determinou prisões privilegiadas e multou os assassinos, hoje, imperdoavelmente denominados simplesmente “corruptos”.

Foram milhares de brasileiros mortos por meliantes que intimidam um policiamento armado de forma obsoleta, por falta de condições econômicas para modernizar seu aparato de proteção à sociedade.

Foram milhares de jovens mantidos na ignorância de conhecimentos indispensáveis à sua educação e formação cultural, pela aviltante desvalorização do ensino no País.

E o que podemos fazer para um 2017 melhor?

Serão 365 novos dias que teremos pela frente. Infelizmente, porém, nem para todos nós. É um tempo muito curto, considerando que a idade estimada do planeta Terra é de 6 bilhões de anos e que o Homo sapiens data de 400 mil anos.

Analisemos então o que é possível concretizarmos em apenas um ano ou, ao menos, o que é possível sedimentarmos para alicerçar uma existência que geneticamente nos resta cumprir.

Iniciemos com a certeza de que o passado não mais existe, o presente é o que vivemos a cada segundo e o futuro é incerto, porém passível de sofrer melhorias sob a dependência do que fizermos agora.

Colega, nunca se pergunte “quando” e “quanto tempo”. Tenha consciência de seus valores, perdendo a modéstia de reconhecer que seu trabalho é digno e reconhecido pela população como confiável e respeitável. Continue na labuta diária, como sempre, cumprindo suas obrigações com dignidade e acolhimento aos necessitados, fazendo a parte profissional, ética e social que lhe cabe, independentemente de quem esteja nos comandos acima de você.

Aprimore-se profissionalmente, técnica e eticamente. Informe-se pelo Portal do seu CRM. Leia trabalhos científicos confiáveis e também poesias e prosas, que melhorarão em muito o seu relacionamento médico-paciente e o seu convívio familiar e social.

Viva intensamente o momento. Se o momento for problemático, lembre-se que você tem o direito de ficar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Se o momento é feliz, supervalorize-o com um sorriso de gratidão.

Raça, cor, fé e opção sexual devem ter a sua lúcida tolerância e jamais as diferenças serem motivo para atos de menosprezo ou agressão.

Sempre que possível ‑ e preferentemente de forma quase imperceptível ‑ não se prive de ensinar. Ensine, sobretudo, com o seu comportamento perante a vida. Ensine a paciência, o respeito, a perseverança, a resiliência, a compreensão, a prudência e o amor. Sim, o amor também precisa ser ensinado.

Permita-se um tempo de descanso físico e mental. Sem nenhum remorso, reserve alguns momentos só para si. Respire fundo prestando atenção apenas no trajeto do ar ao entrar e sair de seus pulmões. Olhe o céu e as nuvens, observe a lua ou simplesmente não faça nada e não pense em nada. Serão alguns minutos de autopreservação, que em nada farão falta aos seus afazeres diários e darão uma nova cor aos seus pensamentos.

Cultive o otimismo, mas não de forma ingênua. Analise profundamente todos os aspectos dos que se candidatam a cargos eletivos. Não se iluda com o aspecto físico. Avalie formação acadêmica, ideias, vocabulário, postura social, manifestações naturais de amizades e de respeito a correligionários e adversários e, principalmente, valores e sentimentos.

Mantenha-se honesto, por mais difícil que sejam as tentações em não o ser. Permita àqueles que com você convivem tenham o orgulho de ser partícipes da vida de um ser especial.

Seu feliz 2017 – e todos os demais anos que se seguirem – só depende das atitudes que você tomar agora.

*Luiz Ernesto Pujol é presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná.

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