15/09/2017

De olhos abertos para uma questão essencial

Juliano de Trotta

A prevenção do suicídio é possível, por isso é importante estar atento aos sinais

Você sabia que uma em cada seis pessoas já pensaram em suicídio? Para cada pessoa que tira a sua própria vida existem outras 20 que já tentaram. Dentre elas, as mulheres são as que cometem mais tentativas de suicídio, porém são os homens que morrem mais.

Com cerca de 800 mil mortes no mundo ao ano, o suicídio vem se tornando um problema de saúde pública. Com forte apelo entre jovens, o suicídio já é a segunda maior causa de morte na faixa etária entre os de 15 a 29 anos, ocorrendo principalmente em países de baixa e média renda (78%).

No Brasil, o número de suicídios tem aumentado de forma lenta mas constante. Segundo dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (2017), em 12 anos (2002 a 2014) houve um aumento de 10% da taxa de suicídio por 100 mil habitantes na mesma faixa etária.

Em 2003, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio adotaram 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, para sinalizar a importância de falar sobre o assunto.

Deixando de lado os números que justificam o impacto catastrófico do ato, nada se compara ao trauma que se inicia para os que ficam quando uma vida é interrompida por decisão própria. O sofrimento se propaga por anos. Muitos familiares próximos procuram motivos, questionam e, por vezes, possuem sentimento de culpa em razão do desejo de alguém ter tirado a própria vida.

Se conseguíssemos pensar mais nos nossos próximos, sejam eles familiares ou não, evitando as comparações e julgamentos de vantagens ou perdas, de ricos ou pobres, de ditos fortes ou fracos, de sucessos ou fracassos medidos pelos dotes da beleza, do dinheiro, das roupas que vestimos, dos amores que deixamos, pensamentos que insistentemente nos cegam no orgulho e no egoísmo. Se investíssemos na melhoria dos nossos pensamentos, não perderíamos a oportunidade da empatia, não deixaríamos escapar as pessoas que precisam de uma palavra amiga em uma situação de silencioso desespero.

A prevenção do suicídio é possível, no entanto é preciso estar atento aos sinais, pois eles sempre estão presentes. A conversa frequente e franca ajuda o entendimento das necessidades e o enfrentamento dos problemas. O suporte de saúde especializado, com psiquiatras e psicólogos pode ajudar, pois alguns transtornos mentais estão associados e necessitam de tratamento. Fato é que a aceitação da qualquer ajuda reduz o risco de suicídio. Dividir as angústias com um bom ouvinte no momento de crise fortalece o emocional e restabelece a relação com a vida.

Importante: O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção de suicídio. Ele atende de forma voluntária e gratuita todas as pessoas que queiram e precisem conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype, 24 horas, todos os dias. Conheça o site.

Artigo escrito pelo médico Juliano de Trotta. Graduado pela UFPR (1993), inscrito no CRM-PR sob o nº 13.901, é especialista em Medicina do Trabalho e Cirurgia do Aparelho Digestivo. Desenvolve ações voltadas à saúde dos trabalhadores e controle da sinistralidade em empresas.

*As opiniões emitidas nos artigos desta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do CRM-PR.

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