Encontro no dia 20 de junho em parceria com o CFM reuniu autoridades, entidades médicas e representantes dos poderes públicos
em meio ao avanço das agressões no Paraná, que já registra uma denúncia contra médicos a cada três dias
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CRM-PR reúne autoridades em evento estadual de combate à violência na saúde (Foto:
CRM-PR)
A violência contra médicos e profissionais da
saúde deixou de ser um episódio isolado para se tornar uma realidade cada vez mais presente nos ambientes de
assistência. Diante desse cenário, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) promoveu, no último
sábado (20), o evento estadual "Tolerância Zero contra a Violência na Saúde", reunindo
autoridades, representantes dos poderes públicos, entidades médicas, órgãos de fiscalização
e profissionais da área para discutir medidas concretas de prevenção, acolhimento e proteção.
Realizado com apoio do Conselho Federal de Medicina
(CFM), o encontro ocorreu na sede do CRM-PR, em Curitiba, sob o lema "Não aceite o inaceitável: denuncie qualquer
forma de violência", e marcou a consolidação de uma ampla mobilização em defesa de ambientes
de trabalho mais seguros para quem atua na linha de frente do cuidado à população.
Representantes de diversas instituições
ligadas à saúde, ao sistema de Justiça e ao poder público participaram do evento, reforçando
o caráter interinstitucional da mobilização. Estiveram presentes o presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella;
o conselheiro federal titular pelo Paraná, Alcindo Cerci Neto; a conselheira federal suplente pelo Paraná, Viviana
de Mello Guzzo Lemke; o conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara Medeiros Parente; o secretário
de Estado da Saúde do Paraná, César Neves; o presidente da Associação Médica do
Paraná (AMP), José Fernando Macedo; e o vice-presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná
(Simepar), Darley Rugeri Wollmann Junior.
Participaram ainda a diretora da Unimed Curitiba, Khátia Maria de
Gouvêa Ribas; a juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Rafaela Mari Turra; a presidente
da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR), Renata
Farah; o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, José Américo Penteado de Carvalho; integrantes
e a coordenadora da Comissão da Mulher Médica do CRM-PR, Andrea Regina Barea Hartmann; o jornalista Roberto
Hinça; o representante da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Rômulo Pereira; e a presidente do
Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), Ethelly Feitosa Santos.
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Os dados apresentados durante o evento reforçam um recorte
preocupante: as mulheres são as principais vítimas da violência no ambiente de trabalho, evidenciando
a urgência de ações de proteção, prevenção e denúncia. (Foto: CRM-PR)
Também estiveram presentes, tanto de forma presencial
quanto online, conselheiros do CRM-PR da gestão 2023-2028 e representantes das Regionais do CRM-PR de Cascavel, Francisco
Beltrão, Guarapuava, Londrina, Maringá e Ponta Grossa, entre outras lideranças e profissionais da saúde.
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A
urgência do tema é evidenciada pelos números. Levantamento da Comissão de Prevenção
à Violência Contra Médicos do CRM-PR mostra que o Conselho recebeu 217 denúncias de violência
contra médicos entre outubro de 2023 e junho de 2026. Somente neste ano, já foram registradas 57 ocorrências,
o equivalente a uma denúncia a cada três dias.O cenário acompanha uma tendência nacional igualmente preocupante. Dados do Conselho Federal de
Medicina revelam que 2024 registrou o maior número de casos de violência contra médicos em estabelecimentos
de saúde desde o início da série histórica, com 4.562 boletins de ocorrência, média
de 12 médicos vítimas de violência por dia no Brasil.Para o presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella, o problema ultrapassa a categoria médica
e afeta diretamente toda a rede de atendimento à população.
"O tema é muito importante
e não se resume apenas à violência contra os médicos, mas a todos os profissionais da saúde,
inclusive outros funcionários como os atendentes das clínicas que também sofrem este drama. Isso não
é aceitável, a violência prejudica a prática da Medicina e atinge a todos, sobretudo a população
que depende do atendimento médico. Queremos respeito pelos profissionais da saúde. O médico precisa ter
dignidade e integridade no seu local de trabalho para poder exercer a boa Medicina", afirmou.Violência verbal lidera registros e mulheres são as principais
vítimas
Os dados apresentados durante o evento mostram que a
agressão verbal é a forma mais frequente de violência, responsável por 87 registros. Em seguida
aparecem o assédio moral, com 71 casos, a agressão psicológica, o abuso de poder político, a intimidação
e até agressões físicas.O
levantamento também aponta que os pacientes são os principais autores das agressões, respondendo por
119 denúncias.Outro dado que chamou
atenção dos participantes foi o recorte de gênero. Das 217 notificações recebidas pelo CRM-PR,
64% foram registradas por mulheres médicas, reforçando a vulnerabilidade feminina diante de situações
de assédio, intimidação e violência no ambiente profissional.Segundo o conselheiro federal pelo Paraná, Alcindo Cerci Neto, a realidade exige
ações imediatas. "A violência contra o médico é uma realidade que vivemos no dia a dia,
nos postos de saúde e nos hospitais. Ela se manifesta tanto fisicamente quanto de forma verbal, e as mulheres são
as principais vítimas. Apesar de ser multifatorial, a violência é controlável e deve ser combatida.
É inadmissível que ocorra. Os médicos estão deixando de trabalhar nas unidades de saúde.
O médico quer ajudar e o sistema de saúde precisa ajudá-lo a fazer isso de forma ampla, tranquila e segura."Relatos emocionam participantes e reforçam importância
da denúncia
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Os depoimentos dos médicos vítimas de violência
destacaram o impacto causado na rotina de trabalho, na saúde emocional dos profissionais e na qualidade da assistência
prestada à população, (Foto: CRM-PR)
Um dos momentos mais marcantes da programação
foi o painel "Vozes da Realidade – O Impacto do Inaceitável", que reuniu médicos vítimas de agressões
durante o exercício profissional.Os
relatos evidenciaram como a violência impacta não apenas a segurança física dos profissionais,
mas também sua saúde emocional, seu desempenho e a própria qualidade da assistência prestada aos
pacientes.O encontro reforçou a necessidade
de romper o silêncio diante das agressões. Atualmente, apenas um em cada quatro médicos que denunciam
violência ao CRM-PR registra boletim de ocorrência junto às autoridades policiais.Novas normas e botão do pânico fortalecem
rede de proteçãoDurante
o evento foram apresentadas a Resolução
CFM nº 2.444/2025 e a Resolução
CRM-PR nº 253/2025, que estabelecem diretrizes para prevenção, acolhimento e enfrentamento da violência
contra médicos.Também foi debatida
a implementação do chamado "botão do pânico", mecanismo de acionamento rápido para situações
de risco em instituições de saúde públicas e privadas.
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A implementação do “botão do pânico”
como uma das medidas de proteção aos profissionais da saúde foi um dos assuntos abordados. (Foto: CRM-PR)
A conselheira federal suplente pelo Paraná, Viviana
de Mello Guzzo Lemke, destacou o protagonismo do CRM-PR na adoção das medidas. "Estamos vivendo um momento ímpar.
O CRM-PR é o primeiro Conselho regional do país a seguir a resolução do CFM sobre enfrentamento
da violência no meio médico, editar uma resolução própria sobre o tema e publicar um manual
de implementação do botão do pânico. O CRM-PR e a Comissão das Mulheres Médicas estão
de parabéns pela iniciativa."O secretário
de Estado da Saúde do Paraná, César Neves, também defendeu a ampliação das medidas
de proteção. "Não podemos fechar os olhos para este problema que acontece nas unidades de saúde,
nas portas dos hospitais e nos prontos-socorros. É inaceitável que isso ocorra. A implantação
do botão do pânico é um avanço e a Secretaria apoia que essa ação se transforme em
lei no Estado, pois trata-se de uma medida efetiva contra quem desrespeitar os profissionais da saúde."MAIS
FOTOS DO EVENTO AQUI
Coalizão reúne instituições
em busca de soluções permanentesAlém dos debates técnicos, o evento promoveu um fórum de coalizão com representantes
dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, entidades médicas e instituições parceiras.Para o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná
(Simepar), Darley Rugeri Wollmann Junior, o enfrentamento da violência exige atenção às condições
estruturais do sistema de saúde. "Este evento, que congrega as principais entidades médicas do Estado, é
de extrema importância devido à gravidade do problema. A precarização do trabalho e a desassistência
são algumas das causas do aumento da violência contra os médicos, o que acaba gerando prejuízos
para a própria população."A
diretora da Unimed Curitiba, Khátia Maria de Gouvêa Ribas, ressaltou a necessidade de atuação conjunta
entre as instituições. "Para que possamos ter um combate efetivo da violência no âmbito da saúde
é necessário que todas as entidades estejam unidas. O assunto precisa ganhar repercussão porque os profissionais
estão muito expostos e precisam ser protegidos."A presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), Ethelly Feitosa Santos, reforçou
que a violência afeta toda a equipe multiprofissional e impacta diretamente a qualidade da assistência prestada
aos pacientes.Já a juíza da
1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Rafaela Mari Turra, propôs a criação de uma comissão
permanente para transformar as diretrizes das resoluções em ações concretas. "A criação
de uma Comissão Multi-Institucional, com participação da Secretaria de Segurança Pública,
Polícia Civil e Guarda Municipal, pode ajudar a construir protocolos regionais que permitam implementar efetivamente
as ferramentas previstas nas resoluções.""É preciso cuidar de quem cuida"
Relator da Resolução CFM nº 2.444/2025, o conselheiro federal pelo Rio de Janeiro,
Raphael Câmara Medeiros Parente, alertou para os reflexos da violência sobre todo o sistema de saúde. "É
um problema crônico em todo o Brasil. A violência contra os médicos é inaceitável e compromete
o atendimento à população. Se o médico não tem segurança, ele não consegue
trabalhar de maneira correta e isso se reflete atualmente na dificuldade em contratar profissionais. É preciso deixar
claro que devemos cuidar de quem cuida da gente."O
jornalista Roberto Hinça também destacou a importância de ampliar a conscientização da sociedade.
"O grande público precisa estar consciente deste problema."Carta de Curitiba formaliza compromisso de tolerância zeroAo final do encontro, foi apresentada a Carta de Curitiba –
Manifesto pela Tolerância Zero, documento construído coletivamente pelas instituições participantes
e lido pela coordenadora da Comissão das Mulheres Médicas do CRM-PR, Dra. Andrea Regina Barea Hartmann.A conselheira do CRM-PR e integrante da Comissão da Mulher
Médica, Edeli dos Santos Pepe, destacou que o documento consolida propostas concretas para garantir segurança
aos profissionais. "O evento produziu um documento com propostas de todas as entidades participantes visando uma Medicina
de qualidade, de forma que os médicos possam atuar com segurança e ter paz no ambiente de trabalho. Qualquer
profissional tem direito a um ambiente de trabalho seguro."Mais do que um encontro de debates, o evento consolidou uma agenda de compromissos institucionais para enfrentar
um problema que cresce ano após ano. A mensagem deixada pelas lideranças presentes foi unânime: combater
a violência contra os profissionais da saúde é uma responsabilidade coletiva.
CARTA DE
CURITIBA
MANIFESTO PELA TOLERÂNCIA ZERO CONTRA A VIOLÊNCIA AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDEDocumento oficial de compromisso institucional e defesa da dignidade
médicaA Medicina é uma profissão
fundamentada no compromisso inalienável com a vida, a saúde e a dignidade humana. O exercício da arte
de curar exige um ambiente de mútua confiança e respeito. No entanto, a crescente escalada de hostilidades contra
aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado do próximo fere não apenas o profissional, mas o próprio
tecido social e a qualidade da assistência prestada à população. Este manifesto reafirma que a
segurança do médico é condição sine qua non para a segurança do paciente.
Este documento fundamenta-se no novo e rigoroso arcabouço
normativo estabelecido pela Resolução CFM nº 2.444/2025 e pela Resolução CRM-PR nº 253/2025.
Tais normas não são meras diretrizes administrativas, mas marcos de proteção que definem protocolos
claros de reação, registro e suporte diante de agressões. Elas representam o escudo institucional que
ampara o médico em sua jornada, garantindo que nenhum ato de violência permaneça sem a devida
resposta ética e jurídica.
Reconhecemos,
com profunda preocupação, os dados alarmantes que assolam o Paraná e o Brasil. A violência —
seja ela física, verbal, psicológica ou de gênero — tornou-se um risco ocupacional inaceitável.
Médicos e médicas, especialmente em unidades de pronto atendimento (UPAs), unidades básicas de saúde
(UBS) e ambientes hospitalares, enfrentam diariamente ameaças que comprometem sua integridade e saúde mental.
O cenário atual exige uma ruptura definitiva com a cultura da passividade.
Sob o lema "Não aceite o inaceitável: Denuncie qualquer forma de violência",
as entidades aqui reunidas proclamam:
1.
A violência contra o profissional de saúde é uma agressão ao Estado Democrático de
Direito e à saúde pública.
2.
Ambientes de saúde, públicos ou privados, devem ser zonas de paz e segurança garantida.
3. A união de forças entre o Conselho
Regional de Medicina (CRM-PR), o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica do Paraná
(AMP), Sindicato dos Médicos do Paraná e os entes governamentais é o único caminho para a erradicação
da impunidade.
4. A violência
de gênero, que vitima majoritariamente nossas médicas, será combatida com o rigor máximo das leis
vigentes e suporte especializado.
Os signatários
deste manifesto e os profissionais aqui presentes assumem o compromisso solene de:
- Estimular a denúncia imediata: Transformar o medo em ação, utilizando
os canais oficiais para registrar toda e qualquer agressão.
- Garantir suporte institucional: Assegurar que a vítima nunca esteja só, provendo acolhimento
jurídico, ético e psicossocial.
-
Implementar protocolos de segurança: Exigir que gestores públicos e privados adotem as medidas de segurança
previstas nas Resoluções CFM 2.444/2025 e CRM-PR 253/2025.
- Monitoramento contínuo: Manter vigilância ativa sobre os índices de violência
e a efetividade das punições aplicadas aos agressores.
O Paraná levanta sua voz para dizer que o cuidado não admite o medo. A agressão
ao médico é uma ferida aberta na sociedade que não mais toleraremos.
Tolerância Zero contra a Violência aos Profissionais
da Saúde.
Repercussão
na imprensa
O evento promovido pelo CRM-PR no dia 20 de junho ganhou destaque na imprensa paranaense. Confira
algumas repercussões abaixo:
Band
TV - Band Cidade 2ª Edição (23/06/2026)
RIC TV - RIC Notícias Manhã (23/06/2026)
Portal 41NewsCuritiba (22/06/2026)
Programa Bora Paraná - Band TV (20/06/2026)
Conheça os canais
de atendimento:
O CRM-PR disponibiliza canais para recebimento e
encaminhamento de denúncias relacionadas à violência contra médicos: