O câncer colorretal é o terceiro entre os mais frequentes no Brasil, sendo as maiores taxas nas regiões Sul e Sudeste. A iniciativa
reforça a importância de hábitos simples para a prevenção
Março é o mês marcado pela campanha Março Azul, voltada à conscientização e prevenção
do câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino. O Paraná é o segundo estado
do país em prevalência deste tipo de câncer. Por isso, a campanha alerta para o crescimento dos casos e
destaca que a doença pode ser evitada com hábitos simples e curada quando diagnosticada precocemente, a partir
dos 45 anos é recomendado os exames para detecção. O tema da 6ª edição da campanha é "Jornada da Vida", voltada para o detecção
do câncer de intestino antes de emitir qualquer sinal de alerta. Com público-alvo de homens e mulheres entre
45 e 70 anos. A iniciativa é da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), da Sociedade Brasileira de Coloproctologia
(SBCP) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).De acordo com dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgados em fevereiro deste
ano, o Brasil deve registrar 53.810 novos casos por ano no triênio 2026-2028. O tumor ocupa a terceira posição
entre os tipos de câncer mais frequentes no país, desconsiderando o câncer de pele não melanoma.Em 2023, foram registrados 23.953 óbitos por câncer
de cólon e reto no Brasil, dos quais 12.094 entre homens e 11.859 entre mulheres.Paraná está entre as regiões com maior incidência
As
regiões Sul e Sudeste concentram as maiores taxas da doença. No Paraná, o câncer colorretal é
o segundo tipo de câncer mais prevalente, com estimativa entre 2.500 e 3.000 novos casos ao ano, segundo dados baseados
nas estimativas de 2023.“O câncer
de intestino é um tumor bastante prevalente no Brasil. Segundo as estimativas do Inca de 2023, esperava-se algo em
torno de 45 a 50 mil casos por ano no país. No estado do Paraná, é o segundo tipo de câncer mais
prevalente, com expectativa de 2.500 a 3.000 casos anuais. É um tumor importante porque impacta bastante na saúde,
tanto em termos de recursos quanto na necessidade de campanhas de prevenção”, afirma o presidente da Sociedade
Paranaense de Coloproctologia, Dr. Paulo Kotze.Doença
silenciosa, mas altamente prevenível
O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso (cólon
e reto), geralmente a partir de lesões benignas, como pólipos, que podem sofrer mutações ao longo
do tempo. O tipo mais comum é o adenocarcinoma, responsável por mais de 90% dos casos. Apesar da gravidade,
o médico reforça que se trata de uma doença prevenível e com altas taxas de cura quando identificada
cedo.“Estamos no mês de março,
campanha do Março Azul, que trata da prevenção do câncer colorretal. Trata-se de uma doença
prevenível. A recomendação é que qualquer pessoa acima de 45 anos realize exames preventivos para
podermos identificar lesões em estágios precoces, curar esses pacientes e alcançar melhores resultados
no tratamento”, destaca a coordenadora nacional do Março Azul, Dra. Maria Cristina Sartor.Ele reforça que o rastreamento deve começar aos 45
anos, mesmo para quem não apresenta sintomas. “Mas se você tem sintomas sugestivos, como sangramento nas
fezes, perda de peso ou alteração no ritmo intestinal, vale a pena procurar atendimento antes, de forma mais
incisiva, porque você pode ser beneficiado com essa prevenção”, orienta a médica.
Hábitos simples reduzem o risco
Especialistas apontam que grande parte dos casos está relacionada
a fatores comportamentais, como sedentarismo, baixo consumo de fibras, excesso de peso, consumo frequente de carnes processadas
e vermelhas, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
Os médicos mostram que a doença tem alto potencial de prevenção primária por
meio de ações voltadas para hábitos de vida saudáveis. São mudanças simples no dia
a dia, mas que fazem muita diferença, como praticar atividade física, manter alimentação rica
em fibras e evitar excessos.
Diagnóstico
precoce pode evitar quimioterapia
O
empresário Marlus Sovinski, 56 anos, é um exemplo claro da importância do exame preventivo. Sem apresentar
qualquer sintoma, ele decidiu realizar uma colonoscopia após conversa com seu médico, especialmente por ter
histórico familiar da doença.
“Eu
nunca tinha feito esse tipo de exame. Perguntei ao meu médico se tinha algum outro exame que a gente podia fazer, porque
meu pai já tinha histórico de câncer. Ele comentou da colonoscopia. Fiz o exame e foram retirados alguns
pólipos na hora. Um estava mais grudado na parede do intestino, foi feita a biópsia e constatou que era um tumor
maligno.”
E após o diagnóstico,
o encaminhamento foi rápido. “Conversei com o meu médico e, em uma semana, já estávamos
fazendo a cirurgia. Não tinha sintoma nenhum, nunca tive. Foi bem no começo, nível um. Não precisei
de quimioterapia nem radioterapia justamente porque foi pego bem no início.”
Hoje, dois anos após a cirurgia, ele segue apenas em acompanhamento. “Estou
tranquilo, sem nenhum tipo de sequela. Faço acompanhamento com a oncologista, monitorando, e não voltou nada.
Eu acho que essa é a importância de fazer antes, de diagnosticar cedo.”
Sangue nas fezes foi o alerta
Já o fotógrafo
João Gilberto Viana Borges, 59 anos, descobriu a doença após perceber um sinal de sangue nas fezes, mesmo
realizando exames periódicos. “Eu sempre fazia exames de rotina. Tinha feito há quatro anos quando percebi
um sinal de sangue nas fezes. Esse foi o alerta para refazer os exames, e foi quando acusou a doença”, diz o
fotógrafo. O tumor já tinha comprometido os linfonodos.
Com o diagnóstico, o início do tratamento foi imediato. “Tudo foi muito rápido:
a cirurgia, o início da quimio. Os médicos foram fantásticos. Encarei cada processo da forma mais positiva
possível, sem ficar me lamentando e muito menos isolado do mundo. Trabalhei normalmente, mantive a rotina social e
profissional até nos dias de quimio. Era pesado, sim, mas sabia que encarar dessa forma tornaria tudo mais fácil.
Não deixei que fosse um limitador”
Diagnóstico
precoce: até 90% de chance de cura
A campanha Março Azul reforça que, quando identificado
precocemente, o câncer de intestino pode ter até 90% de chance de cura. A mensagem central é clara: quanto
antes diagnosticar, maiores as chances de tratamento menos agressivo e melhores resultados.
FONTE: ASSESSORIA DE IMPRENSA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOSCOPIA E ENDOSCOPIA
DIGESTIVA (SOBED), SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA E FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE GASTROENTEROLOGIA