10/03/2026
Debate na ALEP alerta para alta incidência de doenças renais e a importância do diagnóstico precoce
CRM-PR participou do evento representado pelo 1º Gestor do Departamento de Fiscalização do Exercício Profissional (Defep)
e coordenador da Câmara Técnica de Nefrologia da autarquia, Ricardo Benvenutti
clique para ampliar
Audiência ocorreu no Auditório Legislativo na
manhã da última segunda-feira (9). (Foto: CRM-PR)
A Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) realizou,
nesta segunda-feira (9), uma audiência pública alusiva ao Dia Mundial do Rim, por iniciativa da deputada Cristina
Silvestri (PP), com o objetivo de ampliar o debate sobre a prevenção das doenças renais e discutir políticas
públicas voltadas ao diagnóstico precoce e ao tratamento dos pacientes no Paraná. O encontro reuniu médicos
especialistas, representantes de entidades da área da saúde e profissionais que atuam no atendimento a pessoas
com doenças renais.A mesa da Audiência
Pública contou com a presença do conselheiro 1º Gestor do Departamento de Fiscalização do
Exercício Profissional (Defep) e coordenador da Câmara Técnica de Nefrologia do Conselho Regional de Medicina
do Paraná (CRM-PR), Ricardo Benvenutti. Estavam presentes ainda os Drs. Douglas Ricardo da Silva Bergamasco (CRM-PR
22.073 | RQE 19.778), Paulo Henrique Santos Fraxino (CRM-PR 13.507 | RQE 6.903), Rene Scalet dos Santos Neto (CRM-PR 24.392
| RQE 27.966) e Ricardo Akel (CRM-PR 4.607 | RQE 1.192), também membros da Câmara Técnica do CRM-PR.O conselheiro Ricardo Benvenutti enfatizou as ações
feitas pela Câmara Técnica de Nefrologia. De acordo com ele, os encontros mensais são produtivos e de
grande discussão, destacando o programa de Educação Médica Continuada (EMC) na especialidade que,
em sua visão, tem sido um sucesso de visualizações.
A Audiência Pública alusiva ao
Dia Mundial do Rim está disponível no YouTube. Assista
aqui.
Autora da iniciativa, a deputada Cristina Silvestri destacou que esta é a terceira audiência
pública realizada na Assembleia sobre o tema, reforçando o compromisso de ampliar a conscientização
da população. Segundo ela, a doença renal é silenciosa e muitas vezes só é descoberta
quando já está em estágio avançado. “Como agentes políticos, temos a obrigação
de discutir políticas públicas, promover informação e garantir tratamento adequado para as pessoas
que dependem da saúde pública”, afirmou.A parlamentar também ressaltou que o diálogo com entidades e especialistas tem gerado avanços.
“Nesses três anos, tivemos conquistas importantes a partir das reivindicações apresentadas pelas
associações e profissionais da área. Ao mesmo tempo, seguimos abertos a novas demandas, porque essa é
uma luta contínua.”Ela também
anunciou conquistas ao longo dos três anos em que a Assembleia abraçou o pleito: redução de 50%
na tarifa de água das clínicas; encaminhamento favorável para redução das tarifas de energia
elétrica; e criação da frente parlamentar sobre o tema.A parlamentar Secretária Marcia Huçulak (PSD) também participou da audiência.
Ela comentou sobre os desafios. “Um deles é o modelo de atenção. O outro é o financiamento,
que nasceu historicamente subfinanciado, com hiatos enormes. Juntamente com isso, temos que lidar com o envelhecimento da
população e com a falta de promoção do nosso sistema, que funciona no método reativo em
vez de proativo. São vários os desafios, e trazer esses debates para cá ajuda na reverberação”,
destacou.DiagnósticoDurante o debate, o médico nefrologista Ricardo Akel, superintendente
do Instituto do Rim do Paraná e presidente da Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante
no Paraná, alertou para a grande incidência de problemas renais na população. Segundo ele, cerca
de 1,2 milhão de paranaenses já apresentam algum estágio inicial de alteração na função
dos rins, geralmente associada a doenças como diabetes, hipertensão arterial e obesidade.
“A prevenção
é sempre o melhor remédio. É preciso cuidar da função renal antes que a doença comprometa
os rins e leve à necessidade de terapias como diálise ou transplante”, explicou. Ele também orientou
que exames simples, como a dosagem de creatinina e o exame de urina, devem ser feitos periodicamente para detectar alterações
precoces.A médica nefrologista Maria
Laura Neme, secretária da Sociedade Paranaense de Nefrologia, reforçou que a doença renal crônica
já é considerada um problema de saúde pública mundial. Segundo ela, a enfermidade atinge, no mundo,
cerca de 850 milhões de pessoas. “O grande desafio é que a doença renal geralmente não apresenta
sintomas. Menos de 10% das pessoas descobrem o problema a tempo. Por isso, a prevenção e o diagnóstico
precoce são fundamentais”, destacou.A
especialista explicou que um exame simples e de baixo custo pode ajudar na identificação precoce da doença.
“A dosagem da creatinina é um exame acessível, pago pelo SUS, e deve fazer parte do acompanhamento regular
da população, especialmente de pessoas com diabetes ou hipertensão. Esse exame precisa estar disponível
nos postos de saúde como forma de rastreamento”, disse.Miguel Carlos Riella, presidente da Fundação Pró-Renal, afirmou que as instituições
amplificam as ações do governo, trazendo reivindicações, alertando para os problemas e ajudando
nas campanhas de conscientização.René
Santos Neto, presidente da Sociedade Paranaense de Nefrologia, trouxe mais alguns dados sobre os problemas renais. Segundo
ele, a doença renal será a 5ª maior causa de morte no mundo até 2040 e hoje já consome 3%
do orçamento da saúde por causa de terapias tardias.“8.700 paranaenses dependem de diálise hoje no Estado, com 82% deles sendo atendidos
pelo SUS. Isso só vai crescer com o envelhecimento da população, e precisamos estar preparados”,
comentou. Hoje são 50 centros de diálise em 30 municípios no Paraná, com 14 centros transplantadores
e 5.500 pessoas na fila esperando por um rim.José
Moura Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, participou por vídeo. “170 mil pacientes dependem
da diálise para sobreviver. Sem isso, eles não sobrevivem. É um tratamento vital, contínuo e inadiável.
Precisamos discutir o financiamento do tratamento, muito defasado na tabela do SUS e com clínicas sobrecarregadas.”Apesar das dificuldades, o sistema de atendimento público
no Paraná foi elogiado. “O Paraná tem um dos melhores sistemas de terapia renal substitutiva do Brasil,
com clínicas bem estruturadas, profissionais qualificados e equipamentos modernos capazes de garantir qualidade de
vida ao paciente e prepará-lo para um possível transplante”, complementou Ricardo Akel. No entanto, ele
ressaltou que a defasagem da tabela do SUS, a falta de cofinanciamento dos estados e a necessidade de melhoria na atenção
básica pelos municípios são pautas constantes.Impactos econômicosPaulo Fraxino, vice-presidente da Região Sul da Sociedade Brasileira de Nefrologia, trouxe
dados sobre o impacto econômico da doença.Ele apresentou diversos estudos que mostram que o atraso no diagnóstico, mesmo que por apenas um ano,
aumenta em 40% o risco de o paciente atingir o grau 5, o mais grave; em 63% o risco de falência renal; e em 85% o risco
de desenvolver doenças cardiovasculares graves. “Se não for procurado, o diagnóstico sempre será
tardio. Somente com o uso de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo SUS, quando o diagnóstico é precoce
da doença até o estágio 3, conseguimos retardar em 10 a 15 anos a necessidade de diálise, o que
representa uma economia muito grande, além de uma qualidade de vida inestimável ao paciente”, comentou.De acordo com os dados apresentados, o custo do tratamento em diálise
é de 50 a 70 vezes maior que o custo da prevenção. “Caso não modifiquemos o crescimento
da doença com os medicamentos já disponíveis, até 2032 teremos 170% a mais de pacientes que necessitarão
de diálise e 80% de aumento na necessidade de transplantes”, complementou.Outros prejuízos econômicos foram apresentados pelo médico, como
o absenteísmo (indicador que mede a ausência dos trabalhadores) e também aposentadorias precoces. Segundo
as estimativas, o dano ao PIB brasileiro entre 2024 e 2034 pode chegar a R$ 1,3 trilhão, com 4,6 milhões de
trabalhadores retirados do mercado de trabalho e perda de R$ 8,7 bilhões em arrecadação de impostos.FONTE: ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO PARANÁ COM INFORMAÇÕES
DO CRM-PR.