Morte de idosa após procedimento estético ocorrida em outubro passado em Curitiba acende debate sobre os riscos da invasão
do ato médico e leva CRM-PR a reforçar orientação à população
A prisão preventiva de um estudante de Biomedicina
de 21 anos, suspeito de envolvimento na morte de uma mulher após procedimentos estéticos, reacendeu o alerta
sobre os riscos do exercício ilegal da Medicina. O caso ocorreu em Curitiba e mobiliza autoridades de saúde
e segurança pública.O estudante
foi preso nesta quarta-feira (1º/04) e indiciado pelos crimes de homicídio e exercício ilegal da medicina.
As investigações tiveram início em outubro do ano passado, após denúncias recebidas pela
Polícia Civil do Paraná (PCPR). Em uma operação conjunta com a Vigilância Sanitária
e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), foram apreendidas na residência do suspeito seringas novas
e usadas, medicamentos e outros materiais utilizados em procedimentos invasivos.Óbito após complicaçõesDe acordo com a polícia, o suspeito atendeu uma mulher de 66 anos em maio de
2025, apresentando-se como dentista e biomédico. A vítima foi submetida a diversos procedimentos estéticos
invasivos, incluindo aplicações de plasma facial, lipo de papada e lipoenxertia nos seios.
Os atendimentos ocorreram em clínicas localizadas
na região central e nos bairros Campo Comprido e Cabral. Após o último procedimento, a paciente apresentou
complicações graves e morreu no dia 2 de outubro.
Segundo as investigações, a causa
da morte foi choque séptico associado à infecção de pele e partes moles. Antes do óbito,
a mulher chegou a passar por uma cirurgia de mastectomia total, com retirada completa das mamas e parte do tecido do tórax.CRM-PR reforça orientação à
populaçãoDiante do
caso, o CRM-PR divulgou nota oficial reforçando os riscos do exercício ilegal da Medicina e a importância
da população verificar a habilitação dos profissionais antes de realizar qualquer procedimento.Confira a íntegra da nota:O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informa que acompanha com
atenção o caso noticiado e reforça que a realização de procedimentos médicos invasivos
é atividade privativa de médicos legalmente habilitados, conforme a legislação vigente, a qual
existe exatamente para proteger a população de falsos médicos. Complicações de procedimentos
estéticos existem em incidência não desprezível e o diagnóstico e tratamento de muitas destas
intercorrências, como a do caso em questão, também são realizados privativamente por médicos.A autarquia destaca que o exercício ilegal da Medicina representa
grave risco à saúde da população, podendo resultar em complicações severas e até
mesmo em óbitos, como já observado em situações semelhantes.O CRM-PR repudia qualquer prática irregular e orienta a população
a sempre verificar se o profissional está devidamente inscrito no Conselho antes de se submeter a qualquer procedimento
médico.Convém ressaltar
que o termo biomédico não se confunde com a formação em Medicina e se refere à profissão
com atuação em análises físico-químicas e microbiológicas, realização
de radiografias sem emissão de laudos, atuação em serviços de hemoterapia e radiodiagnóstico
sob supervisão médica, e pesquisas científicas, conforme a Lei nº 6.684, de 3 de setembro de 1979.Em março de 2026, a 7ª Turma do Tribunal Regional Federal
da 1ª Região (TRF1), em decisão de segunda instância proferida por unanimidade em ação
conduzida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), anulou as resoluções do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM)
que autorizavam biomédicos a realizarem procedimentos estéticos invasivos, revogando a pretensão da autarquia
de ampliar essa atuação profissional.Por fim, o Conselho reforça que atua de forma permanente na fiscalização do exercício
profissional e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações.Médico só com CRMO caso segue sob investigação e reforça a
importância da atuação integrada entre órgãos de fiscalização e segurança,
além da conscientização da população sobre a necessidade de buscar profissionais devidamente
habilitados.
Faça sua denúncia à Comissão de Defesa do Ato Médico do CRM-PR: