02/04/2026

Estudante de Biomedicina é preso preventivamente por suspeita de exercício ilegal da Medicina

Morte de idosa após procedimento estético ocorrida em outubro passado em Curitiba acende debate sobre os riscos da invasão do ato médico e leva CRM-PR a reforçar orientação à população

A prisão preventiva de um estudante de Biomedicina de 21 anos, suspeito de envolvimento na morte de uma mulher após procedimentos estéticos, reacendeu o alerta sobre os riscos do exercício ilegal da Medicina. O caso ocorreu em Curitiba e mobiliza autoridades de saúde e segurança pública.

O estudante foi preso nesta quarta-feira (1º/04) e indiciado pelos crimes de homicídio e exercício ilegal da medicina. As investigações tiveram início em outubro do ano passado, após denúncias recebidas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR). Em uma operação conjunta com a Vigilância Sanitária e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), foram apreendidas na residência do suspeito seringas novas e usadas, medicamentos e outros materiais utilizados em procedimentos invasivos.

Óbito após complicações

De acordo com a polícia, o suspeito atendeu uma mulher de 66 anos em maio de 2025, apresentando-se como dentista e biomédico. A vítima foi submetida a diversos procedimentos estéticos invasivos, incluindo aplicações de plasma facial, lipo de papada e lipoenxertia nos seios.

Os atendimentos ocorreram em clínicas localizadas na região central e nos bairros Campo Comprido e Cabral. Após o último procedimento, a paciente apresentou complicações graves e morreu no dia 2 de outubro.

Segundo as investigações, a causa da morte foi choque séptico associado à infecção de pele e partes moles. Antes do óbito, a mulher chegou a passar por uma cirurgia de mastectomia total, com retirada completa das mamas e parte do tecido do tórax.

CRM-PR reforça orientação à população

Diante do caso, o CRM-PR divulgou nota oficial reforçando os riscos do exercício ilegal da Medicina e a importância da população verificar a habilitação dos profissionais antes de realizar qualquer procedimento.

Confira a íntegra da nota:

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informa que acompanha com atenção o caso noticiado e reforça que a realização de procedimentos médicos invasivos é atividade privativa de médicos legalmente habilitados, conforme a legislação vigente, a qual existe exatamente para proteger a população de falsos médicos. Complicações de procedimentos estéticos existem em incidência não desprezível e o diagnóstico e tratamento de muitas destas intercorrências, como a do caso em questão, também são realizados privativamente por médicos.

A autarquia destaca que o exercício ilegal da Medicina representa grave risco à saúde da população, podendo resultar em complicações severas e até mesmo em óbitos, como já observado em situações semelhantes.

O CRM-PR repudia qualquer prática irregular e orienta a população a sempre verificar se o profissional está devidamente inscrito no Conselho antes de se submeter a qualquer procedimento médico.

Convém ressaltar que o termo biomédico não se confunde com a formação em Medicina e se refere à profissão com atuação em análises físico-químicas e microbiológicas, realização de radiografias sem emissão de laudos, atuação em serviços de hemoterapia e radiodiagnóstico sob supervisão médica, e pesquisas científicas, conforme a Lei nº 6.684, de 3 de setembro de 1979.

Em março de 2026, a 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em decisão de segunda instância proferida por unanimidade em ação conduzida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), anulou as resoluções do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) que autorizavam biomédicos a realizarem procedimentos estéticos invasivos, revogando a pretensão da autarquia de ampliar essa atuação profissional.

Por fim, o Conselho reforça que atua de forma permanente na fiscalização do exercício profissional e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações.

Médico só com CRM

O caso segue sob investigação e reforça a importância da atuação integrada entre órgãos de fiscalização e segurança, além da conscientização da população sobre a necessidade de buscar profissionais devidamente habilitados.

Faça sua denúncia à Comissão de Defesa do Ato Médico do CRM-PR:

Telefone: (41) 9 8405-8373
E-mail: defesadoatomedico@crmpr.org.br

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