17/03/2026
I Congresso da Mulher Médica reúne lideranças e debate desafios da profissão para mulheres
Evento foi promovido pela Federação Médica Brasileira (FMB) nos dias 12 e 13 de março, em Maceió. Temas discutidos foram:
o mercado de trabalho, saúde física e mental, direitos trabalhistas e participação política das médicas no país
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Secretária-geral do Sindicato dos Médicos do
Paraná, Cláudia Carrasco, e a coordenadora da CQP e membro da Comissão da Mulher Médica do CRM-PR,
Maria Casemira Fernandes da Silva. (Foto: Divulgação - FMB)
O 1º Congresso da Mulher Médica da Federação
Médica Brasileira (FMB) reuniu, em Maceió (AL), médicas, dirigentes sindicais, advogadas e especialistas
de diversas regiões do país para discutir os desafios enfrentados pelas mulheres no exercício da medicina.
Realizado nos dias 12 e 13 de março, o encontro promoveu debates sobre mercado de trabalho, saúde física
e mental, direitos trabalhistas, violência de gênero e participação política das médicas.O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) foi representado
pela coordenadora da Comissão de Qualificação Profissional (CQP) e membro da Comissão da Mulher
Médica da autarquia, Maria Casemira Fernandes da Silva. A conselheira destacou: "O congresso foi coroado com excelentes
palestrantes e foram apresentados e discutidos assuntos de extrema relevância para a vida profissional das médicas."Também presente no evento, a diretora de Educação
Médica e Formação Profissional da FMB e secretária-geral do Sindicato dos Médicos do Paraná
(Simepar), Cláudia Paola Carrasco Aguilar, ministrou uma palestra com o tema "Saúde Mental da Mulher Médica".
Na apresentação, a médica descreveu o atual cenário como uma crise silenciosa, complementando
que, por trás do aumento da presença feminina na profissão, há um processo crescente de adoecimento
marcado por burnout, ansiedade, depressão e risco aumentado de suicídio.Durante a abertura do Congresso, lideranças da Federação destacaram
o caráter histórico do evento e o crescimento da presença feminina na profissão. Atualmente, as
mulheres já representam a maioria entre os médicos em atividade no Brasil, mas ainda enfrentam desigualdades
estruturais no mercado de trabalho e nos espaços de decisão.Mercado de trabalho e precarização da medicinaA mesa sobre mercado de trabalho reuniu dirigentes sindicais que
analisaram as transformações recentes na profissão. A médica Ana Carolina Tabosa, presidente do
Sindicato dos Médicos de Pernambuco e secretária-geral da FMB, destacou que o crescimento da presença
feminina ocorre em um contexto de vínculos cada vez mais precários e redução de direitos trabalhistas.A médica Andréa Lúcia Rezende Martins Donato,
diretora de Saúde Suplementar do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, abordou a relação entre
médicos e operadoras de planos de saúde, apontando dificuldades na negociação de honorários,
glosas e perda de autonomia profissional.Encerrando
a mesa, Janice Painkow, diretora de Relações Institucionais e de Assuntos Legislativos da FMB e diretora financeira
do Sindicato dos Médicos do Tocantins, discutiu a chamada “uberização” da saúde. Segundo
ela, plataformas digitais e novos modelos de contratação têm ampliado a precarização do
trabalho médico.Saúde
da mulher médica e adoecimento profissionalA saúde física e mental das médicas também foi tema central do congresso. A médica
Walnéia Cristina de Almeida Moreira, diretora administrativa do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, apresentou
dados sobre o adoecimento da mulher médica, incluindo índices elevados de burnout, ansiedade e depressão.A vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco
e diretora do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Cláudia Beatriz Câmara de Andrade Silva, falou sobre
os impactos da sobrecarga de trabalho e das múltiplas jornadas na saúde física das médicas.Já a médica Cláudia Paola Carraso Aguilar,
diretora de Educação Médica e Formação Profissional da FMB e secretária-geral do
Sindicato dos Médicos do Paraná, abordou a saúde mental das profissionais e os fatores estruturais que
contribuem para o sofrimento psíquico na profissão.Violência, direitos e proteção jurídicaA advogada Helenice de Moraes apresentou uma conferência sobre violência
contra a mulher no exercício da medicina. Ela destacou a ocorrência de assédio moral e sexual, discriminação
e outras formas de violência no ambiente de trabalho, defendendo a criação de mecanismos de denúncia
e acolhimento às vítimas.Na
conferência sobre direitos da mulher médica, a advogada Maria José Vasconcelos Torres explicou os direitos
trabalhistas e constitucionais que protegem as profissionais. A especialista alertou para os riscos da pejotização
e reforçou a importância de conhecer a legislação para evitar vínculos precários.Políticas trabalhistas e desigualdade de gêneroA médica Nástia Irina de Sousa Santos, conselheira
fiscal da FMB e diretora de Assistência Jurídica, Defesa Profissional e Condições de Trabalho do
Sindicato dos Médicos do Pará, apresentou uma análise sobre políticas trabalhistas e desigualdade
de gênero na medicina. Ela ressaltou que a presença feminina crescente na profissão não eliminou
diferenças salariais, dificuldades de ascensão profissional e barreiras estruturais que ainda limitam a participação
das médicas em posições de liderança.A médica Adalgele Blois, vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Tocantins, também abordou
as dificuldades enfrentadas pelas médicas jovens no mercado de trabalho. Segundo ela, mesmo sendo maioria entre os
profissionais mais novos, as mulheres ainda enfrentam desigualdades salariais, violência e menor presença em
cargos de gestão.A médica e
vereadora de Maceió Maria de Fátima Galina Fortes Ferreira Santiago trouxe uma reflexão sobre a trajetória
das mulheres na política. Em sua palestra, destacou a luta histórica pelo direito ao voto e pela participação
nos espaços de poder.Ela chamou atenção
para a baixa presença feminina nos parlamentos brasileiros e defendeu que mais mulheres, incluindo médicas,
participem da política institucional para ampliar a defesa de direitos e políticas públicas voltadas
à população.Avaliação
positiva do congressoAo final do
evento, o presidente da Federação Médica Brasileira, Fernando Mendonça, destacou a importância
do encontro. “Foi um momento histórico para a Federação e para as médicas do país.
O congresso trouxe debates fundamentais e reafirmou nosso compromisso com a valorização profissional e com melhores
condições de trabalho para a categoria”, afirmou.A diretora da Mulher Médica da FMB, Edilma de Albuquerque Lins Barbosa, também celebrou
o sucesso do congresso realizado em Maceió. “Tivemos dois dias de debates profundos, troca de experiências
e construção coletiva de propostas. O encontro fortalece a presença e a voz das médicas no movimento
sindical e nas discussões sobre o futuro da medicina”, destacou.O congresso também foi o momento de comemorar os 10 anos da Federação
Médica Brasileira, reafirmando o compromisso da entidade com a defesa da medicina e com a valorização
das médicas e médicos em todo o país.FONTE: FUNDAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA, COM INFORMAÇÕES DO CRM-PR.