18/03/2009

O câncer congelado

Técnica que usa o frio para destruir tumores se afirma como opção de tratamento menos agressiva contra alguns tipos da doença



O calor das ondas de radiofrequência é uma das armas mais conhecidas para destruir tumores. Agora, o frio também se consolida como um recurso útil no tratamento de alguns tipos de câncer. Uma técnica chamada crioterapia ou crioablação está sendo considerada uma boa opção contra tumores nos rins e em casos de câncer de próstata nos quais a doença insiste em voltar mesmo depois de ter sido tratada.


Na semana passada, dois novos estudos confirmaram a eficácia do método, que se difundiu lentamente nas últimas duas décadas. Um deles, realizado no Instituto Johns Hopkins, em Baltimore, um dos mais respeitados centros de tratamento dos Estados Unidos, revelou que as indicações do congelamento podem ser ampliadas. Na pesquisa, que teve duração de três anos e envolveu 84 pacientes, a crioterapia foi eficiente para eliminar tumores de até sete centímetros.


Em geral, a recomendação vigente é de que seja aplicada apenas em lesões menores do que quatro centímetros. "A crioterapia deve se tornar a primeira opção para remover tumores renais com até quatro centímetros e deveria ser recomendada para pacientes com tumores maiores", afirmou o autor do estudo, o radiologista Christos Georgiades. O urologista Omar Hayek, dos hospitais das Clínicas de São Paulo e Albert Einstein e um dos introdutores do método no Brasil, animou-se com o estudo americano, mas é cauteloso. "É uma pesquisa séria, mas prefiro aguardar estudos mais longos, com até cinco anos de acompanhamento dos pacientes, antes de indicar para tumores maiores de três centímetros", diz.


O outro estudo diz respeito ao uso do método no tratamento do câncer de próstata. O trabalho sugere meios de congelar apenas parte da glândula, ao contrário do que se faz hoje. "Gelamos completamente o interior do órgão, causando a morte de todas as células", diz o radioterapeuta Rodrigo Hanriot, do Hospital Albert Einstein.


A sugestão do radiologista Gary Onik, que participou do aperfeiçoamento do método e clinica na Flórida, é dobrar o número de amostras extraídas da próstata para mapear com mais precisão as células malignas e resfriar somente os locais onde estão alojadas. Dessa maneira, o procedimento poderia se tornar menos agressivo. "Pode ser uma ideia promissora, mas é experimental e precisa ser mais investigada", pondera o urologista Sidney Glina, da Sociedade Brasileira de Urologia.


Fonte: IstoÉ

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