18/06/2012

Projeção aponta aumento da desigualdade na distribuição de médicos no país e concentração em 2020

Em 2020, mesmo sem novas vagas em cursos de Medicina, haverá explosão da relação médico-habitante e super-concentração de médicos em diversos Estados, capitais e municípios de médio porte.


Brasil atingirá em 2020 a razão de 2,20 médicos por 1.000 habitantes, sem necessidade de abrir mais escolas médicas. Com anúncio de 2.415 novas vagas em cursos de Medicina, e sem uma política adequada para distribuição de médicos, o governo federal irá acentuar as desigualdades no acesso à assistência médica.


Para justificar a abertura de cursos, Ministério da Educação utiliza parâmetro sem fundamentação e indicadores com fraca evidência da real necessidade de médicos.
Sem dar garantias de qualidade na expansão do ensino médico, sem docentes qualificados e sem vagas de Residência Médica para os novos formandos, governo federal poderá colocar em risco a saúde da população.


O Ministério da Educação anunciou a ampliação de 2.415 vagas em cursos de Medicina no país a partir do segundo semestre de 2012, sendo 800 delas para o setor privado. A justificativa seria a necessidade de atingir a taxa de 2,5 médicos por 1.000 habitantes, considerada pelo governo federal uma concentração ideal de médicos.


No entanto, segundo a projeção "Concentração de Médicos no Brasil em 2020", que compõe o estudo " Demografia Médica no Brasil", do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), mesmo sem abrir novos cursos e vagas de Medicina, o Brasil atingirá em 2020 a razão de 2,20 médicos por 1.000 habitantes.


Se mantido o panorama atual, dentro de oito anos, em 2020, o Brasil terá 455.892 médicos em atividade, quando sua população será de 207.143.243 habitantes. Em 2010, o número de médicos era de 364.946 para uma população de 193.252.604 o que correspondia a uma taxa de 1,9 médico por 1.000 habitantes.


Com este pressuposto de crescimento, a razão médico-habitante se acomodaria em índice próximo do desejado pelo governo, ainda que não tenha sido apresentada até o momento nenhuma explicação lógica ou fundamentada para a suposta taxa nacional ideal de 2,5 médicos/1.000 habitantes pretendida pelos Ministérios da Educação e da Saúde.


Em 2020, projeção aponta superconcentração de médicos em diversos Estados, capitais e municípios de médio porte. Segundo a projeção do CFM/Cremesp, em 2020 três Estados terão mais de três médicos por 1.000 habitantes: Distrito Federal (5,54), Rio de Janeiro (4,44), São Paulo (3,31). Oito Estados estarão acima de 2,5 médicos por 1.000 habitantes, a meta estipulada pelo governo. Isso, se mantido o panorama atual de crescimento do númetro de médicos.


Dezenove Estados ainda estarão abaixo da razão 2,5 médicos por 1.000 habitantes. Isso inclui todos os Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, exceto Distrito Federal. A projeção indica que, mesmo com a evolução esperada no número de médicos, o país chegará a 2020 dividido e desigual em termos de densidade médica: uma realidade no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, e outra do Sul e no Sudeste.


Em quatro capitais, dentre aquelas selecionadas para a projeção (Tabela 5- ANEXO), a concentração em 2020 será maior que 6 médicos por 1.000 habitantes: Vitória (17,85), Porto Alegre (12,19), Belo Horizonte (9,85) e Rio de Janeiro (8,77).


Em 2020, mesmo sem novos cursos e ampliação de vagas, diversas cidades médias terão elevada população de médicos. Exemplos de alta concentração serão Botucatu (11,06), Ribeirão Preto (7,21) e Campinas (6,432), as três no interior paulista, seguidas de Pelotas (RS), com 5,23 e Criciúma (SC) com taxa de 4,47 médicos por 1.000 habitantes.


A projeção CFM/Cremesp é um cenário de referência, tendencial, uma geração de conhecimento prospectivo, com possibilidade de erro atribuido ao método baseado na taxa de crescimento e a mudanças no panorama atual. Possivelmente a razão médico-habitante poderá estar acima do previsto já nos próximos anos, o que poderá acirrar a concentração localizada de médicos e as desigualdades atualmente verificadas na distribuição desses profissionais e suposta na projeção.


Os motivos de uma eventual antecipação são o ritmo menor do crescimento populacional (devido a redução dos índices de fecundidade e de mortalidade no país) e a evolução do número de médicos (amplificada pela abertura de novos cursos, pela juvenização da profissão, pelo número de entradas maior que o número de saídas de profissionais do mercado de trabalho, dentre outros fatores).



Veja o estudo completo, com gráficos e tabelas, em
href="http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=NoticiasC&id=2528" target="_blank">"Razão médico/habitante cresce em ritmo maior que população".



Fonte: Cremesp

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