O evento foi promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), no dia 22 de abril, em Brasília. Contou com a representação
do CRM-PR pelo vice-presidente, Anderson Grimminger Ramos, e pelo conselheiro Leandro Raicoski Schimmelpfeng
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Conselheiro Leandro Raicoski Schimmelpfeng e o vice-presidente
do CRM-PR, Anderson Grimminger Ramos, no V Fórum de Medicina de Emergência do CFM. (Foto: Reprodução)
O V Fórum de Medicina de Emergência do Conselho
Federal de Medicina (CFM), reuniu nesta quarta-feira (22), em Brasília (DF), médicos emergencistas nacionais
e internacionais. O evento contou com seis mesas de debates, onde foram discutidas as questões específicas da
especialidade no Brasil, na América Latina e no mundo, fora outros temas como o uso da ketamina, da Inteligência
Artificial na triagem, do bougie e suas utilidades, os desafios nas emergências pediátricas e toxicológicas,
entre outros. O Conselho Regional de Medicina
do Paraná (CRM-PR), foi representado pelo vice-presidente e coordenador da Câmara Técnica de Medicina
de Emergência, Anderson Grimminger Ramos, e pelo conselheiro e membro da Comissão de Divulgação
de Assuntos Médicos (Codame), Leandro Raicoski Schimmelpfeng.
"Acima de qualquer tecnologia, nossa maior ferramenta
permanece sendo a Educação Médica Continuada, alinhada aos preceitos éticos." destacou Dr. Leandro. A programação contou com a presença do presidente
do CFM, José Hiran da Silva Gallo; da presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência
(ABRAMEDE), Maria Camila Lunardi, que presidiu a palestra sobre a especialidade no cenário brasileiro; do presidente
da Federação Latino Americana de Medicina de Emergência (FLAME), Hélio Penna Guimarães;
da presidente Pauline Convocar, eleita da Internacional Federation of Emergency (IFEM) - Malásia, que palestrou sobre
a área sob um contexto mundial; além de outras personalidades da especialidade que puderam abordar mais temas
para o fórum.
O evento já está disponível no YouTube do CFM, acesse aqui.
Acesso
A quarta mesa do Fórum e primeira do
horário da tarde tinha como tema “Vias aéreas: a grande estrela nas emergências”. O primeiro
palestrante foi o médico emergencista e instrutor do “The difficult Airway Course”, Hamilton Rocha, que
falou sobre o tema “Via aérea difícil na emergência, é possível prever?”. Em
sua fala, ele mostrou o que pode ser considerado um paciente difícil para uma entubação, tanto por questões
anatômicas do paciente, como uma língua volumosa, ou fisiológicos, “mas ambos apresentam o mesmo
nível de dificuldade”.“A
mortalidade é maior nos pacientes com via aérea fisiologicamente difícil. Nós, como emergencistas,
devemos estar prontos para qualquer situação”, afirmou. Para o palestrante, o uso da Inteligência
Artificial poderá auxiliar no manejo desses pacientes, mas que as informações devem ser usadas de forma
estratégica, não substituindo a atuação do médico.“Ketamina ou etomidato no cenário brasileiro” foi o tema da apresentação
do vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) e professor da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Ian Ward Abdalla Maia. Após apresentar dados de pesquisas realizadas no Brasil e no exterior,
ele afirmou que não há como concluir qual seria o melhor medicamento.“Há muitos fatores. Aqui, a mortalidade é maior nos hospitais públicos
do que nos privados. Há diferenças regionais e uma preferência de um produto em detrimento de outro de
acordo com o serviço”, afirmou. Ele explicou, ainda, que parece não haver uma diferença no índice
de mortalidade na comparação entre os dois medicamentos. Por fim, Ian Ward defendeu mais estudos brasileiros
sobre a medicina de emergência.A palestra
seguinte foi do médico emergencista da University of California Erik Laurin, que falou sobre “O uso do bougie
e suas utilidades”. Em uma apresentação, por videoconferência, com muitas imagens de casos concretos,
ele defendeu o uso do dispositivo, por ser “simples, barato e efetivo”. Entre as utilidades, está na visualização
da glote, na intubação e na extubação traqueal e na intubação digital.Desafios A quinta mesa do Fórum teve como tema “Any onte, any Thing, any time e
any Where – a apresentação de desafios reais”, debatendo os desafios nas emergências pediátricas,
toxicológicas e em situações de catástrofes. A primeira apresentação foi feita pela
vice-presidente da Abramede, Joelma Gonçalves Martin, que mostrou as dificuldades de formação do emergencista
pediátrico. “Não conseguimos expor nossos residentes em pediatria às situações de
emergência”, constatou. A solução passa por melhorar a formação do médico desde
a graduação sobre o atendimento em emergências.Esse também foi o caminho apontado pela médica mineira Juliana Sartorelo Carneiro, que
é toxicologista e médica de emergência do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Após mostrar
que os acidentes com animais peçonhentos representam 10% dos atendimentos em emergência no Brasil, ela defendeu
que os ensinamentos em toxicologia façam parte da formação do médico emergencista.“É preciso que haja o ensino da toxicologia nas escolas
médicas, a capacitação dos médicos que já atuam em emergência, a divulgação
dos serviços de telemedicina e a ampliação de pesquisas brasileiras sobre intoxicação”,
defendeu.“O desafio nas situações
de catástrofes” foi apresentado pelo ortopedista e coordenador do Grupo de Medicina de Catástrofe do Hospital
Israelita Albert Einstein, Fábio Racy. Em sua fala, ele destacou que o Brasil está exposto a catástrofes,
como às relacionadas a desastres naturais, como enchentes; eventos com múltiplas vítimas, como em Brumadinho;
terrorismo, como a ação do crime organizado; humanitárias, como o acolhimento aos venezuelanos, entre
outras.Para enfrentar essas situações,
os serviços médicos devem estar estruturados e agir de forma coordenada. “Muitas vezes o nosso colaborador
também está sendo atingido pela catástrofe. Daí porque temos de atuar de forma coordenada para
minimizar os impactos”, defendeu.
Coordenador dessa mesa, o conselheiro federal Domingos
Sávio pontuou que, na sua prática diária, enfrenta os problemas citados. “Sou de Roraima e lá
tivemos uma emergência humanitária, com a vinda dos venezuelanos, e enfrentamos diariamente casos de intoxicação
por animais peçonhentos. São duas das situações que sobrecarregam o nosso sistema de saúde”,
destacou.
Monitoramento
A última mesa teve como tema “Choque: o vilão
oculto do departamento de emergência”. O primeiro palestrante foi 2º secretário da Abramede e emergencista
do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, Osmar Colleoni, que explicou o que deve ser feito no caso de atendimento a
pacientes em choque. Após explicar a diferença entre choque e hipotensão, ele ressaltou que o médico
precisa agir. “Mais grave do que não identificar é não fazer nada”, defendeu.
Na palestra seguinte, o supervisor do Departamento de Emergência
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Victor Van Vaisberg, falou sobre o tema “Monitorização
minimamente invasiva: tecnologia distante ou realidade próxima?”. Na sua apresentação, ele mostrou
como a monitorização evoluiu desde o começo do século XX, passando por todas as evoluções
mais recentes e pela monitorização beira-leito. “Em um cenário de poucos recursos, o exame físico
seriado é o que temos de mais valioso”, afirmou.
A última apresentação, por videoconferência, foi feita pelo médico israelense
e fundador da Oneg Hakarmel, Noam Gavriely, que falou sobre “Hemashock: avaliando as diversas possibilidades de uso”.
Segundo o painelista, essa tecnologia, que ainda não está disponível no Brasil, é indicada para
pacientes com pressão arterial sistólica inferior a 80 mm causada por choque hemodinâmico ou parada circulatória.
FONTE:
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM), COM INFORMAÇÕES DO CRM-PR.